todos os dias era esse lugar e a sua alma desfeita. cínico, mostrava sorrisos arrancados aos pontapés de um canto escuro que existia em si, numa gaveta que nunca abrira. aquela terra tinha essa habilidade, de pôr a descoberto os seus piores defeitos. todo o plástico que envolvia aquela casca, fazia-o tropeçar. e depois de tombar, caía outra vez. não tinha vergonha e chamava por eles. quem os outros consideravam inteligentes eram mentes pequenas, presas à espiral imperfeita da enganadora ideia de que o verdadeiro conhecimento se assenta em intermináveis memorizações sobre o faróis dos carros, as capitais, o rio mais sujo do mundo, etc.
tudo era pequeno. as pessoas, os edifícios, as roupas, os cabelos, os cheiros, os gestos. tudo era ridiculamente pequeno, tudo era tão pequeno, menos o espaço que existia entre si e os outros que lá moravam.